Postagens

Mostrando postagens de abril, 2010

Refúgio

A poesia é um refúgio Para quem escreve e para quem lê Cada verso é um sentimento Que a gente sente mas não vê O poeta se inspira E quem lê fica inspirado Esquece o tempo, esquece a hora, Esquece a alma do passado Até no coração mais frio A poesia está presente Faz o gelo congelante Se tornar a chama ardente O pássaro que não voa, Sonha: "Um dia irei voar" E levará consigo os sonhos Que ousou acreditar...

Mágica Tinta...

Cai a água e desaba Sobre as rochas, como véu. E os olhos insaciáveis deslumbram Por sobre a tinta que se espalha no papel. Mágica tinta de encantadora magia Que pelo vazio branco e perolado, Teima em se espalhar, Criando o mais concreto mundo abstrato. Mágica tinta de misteriosa magia Que em seus traços imperfeitos, Revela a perfeição. Magia única de formas diversas, Na tela, no papel e na mente impressas, Mas que nasce de um único e pulsante coração.

O Tempo e o Amor

Já se foi aquele tempo Que o tempo abandonou Por ter cansado de esperar A quem nunca o amou. O tempo apaixonado Desprezado, foi embora. E pelo tempo perdido Seu amor agora chora. O tempo corre agora Para fugir da solidão. Corre sem pensar na hora E pensando sem querer em sua paixão. E agora o tempo pára Loucamente apaixonado. Está na beira do abismo Relembrando seu passado. Passado que não passou Ou passou e ele não viu. O tempo agora está sofrendo Pelo amor que nunca sentiu...

Só para constar...

Sou uma perdida Que não segue doutrina nem religião Sem rumo, pretextos nem sina Na mente uma rima, trasformo em canção... Minhas mãos não são tão delicadas Quanto as de uma dama haveriam de ser São pequenas e um tantinho calombadas Preço que pago por gostar de escrever. Minha face não é branda nem dura Se perde no meio do aglomerado de rostos Me vejo cercada por belas molduras E eu talvez seja um simples esboço... Sou uma desiludida Descrente da vida, a mais bela ilusão Ciente de que o amor é magia Mas não é incerteza nem convicção. E apesar de me contradizer Digo que acredito no amor De onde a esperança se faz nascer E para o coração é fonte de calor. Seria ingenuidade minha dizer Que acredito em príncipe encantado? Desilusão seria nunca entender Que a magia da vida é o inesperado...

A Magia do Outono...

Ah, o Outono... minha estação preferida...! O céu azul manchado por nuvens brancas em constante movimento, o sol brilhando e deixando tudo colorido, o frio fazendo com que as pessoas saiam de casa embrulhadas em seus cachecóis e casacos, com as mãos nos bolsos e nariz vermelho... as rajadas repentinas de vento criando uma chuva vertical de folhas secas e amareladas... é tudo tão belo. Ah, o Outono... Que desilusão senti, tenho de adimitir, quando no dia 20 de março, por volta das duas da tarde, foi anunciado a chegada tão esperada do Outono - eu chegava a imaginar o sol surgindo glorioso, iluminando o horizonte dos oprimidos pelas constantes chuvas de verão... mas não foi o que aconteceu, e que desilusão senti, eu repito, quando o primeiro dia do outono amanheceu chovendo, se passou debaixo de chuva e anoiteceu dessa mesma forma... Mais um dia, eu pensei, e o frio gostoso, e as rajadas repentinas do vento, o sol brilhando no céu azul e branco, viriam me saudar. E semanas se passara...

Eu queria...

Eu queria saber voar Mas asas eu não tinha Queria saber o que é amar Mas amor de verdade não vinha. Queria saber esperar Mas esperança já não me faz companhia Queria ao menos poder cessar Esse pulsar inquietante de agonia. Receio ser minha impaciência Que afaste de mim o que eu desejo Meu olhar já se perdeu na inconsciência Pois o que quero de verdade não vejo. Quem me dera poder fechar os olhos E perder-me numa escuridão sem devaneios Silenciar meu inquieto coração E esquecer-me por um instante de meus anseios. Quem me dera saber aquiescer Para aceitar o vazio de forma complacente. Ah, quem me dera... quem poderia entender? Que no vazio profundo de minha dor insistente Eu seria feliz por ser capaz de sofrer...