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Mostrando postagens de 2010

Não Se Sabe...

Não se sabe se por culpa da vontade Se nunca pode ou se nunca quis Sabe-se ao menos que encontrou na amizade Um modo belo de ser feliz Mas seu coração há tempos ansiava Por algo forte como uma paixão Mas, distante, apenas imaginava O que era repelido pelo medo da decepção Não se sabe se está aberto O coração pulsante que se faz sentir Não se sabe se está longe ou perto Quem, de amor, faça-o se abrir O que se sabe é o que é incerto Tal qual amor tentar predizer Não se sabe se está longe ou perto Só se espera ele aparecer...

Singela Convicção

Começo aqui trabalho amador Que não sei ao certo a definição Que cada um tem um olhar, sente um sabor; Deixo aberto à livre interpretação Talvez me arrisque a escrever no fim Minha singela convicção Não me importo com quem possa vir até mim Dizer se concorda ou não Conflitos bobos pouco interessam Palavras têm poder maior Definições são como formalidades Escolha a que convir melhor Definições dispostas num dilema Que ousar transpor ninguém faria Só me pergunto: será que em meu poema Encontras poesia? PS: Referente a briga dos gramáticos em definir um poema - se poema ou poesia -; prefiro pensar como uma professora uma vez me disse, que poema é a parte estrutural, e poesia a emoção contida em cada verso...

Soneto aos Parnasianos

Se ousar por um minuto me iludir E acreditar que em meus versos alcanço a perfeição Me comprometo por cada erro que provir De ignorar o despertar da dispersão Me decidi então por escavar a gruta O ourives que não ouse se zangar Ao ouvir que preferi a pedra rara bruta Espontânea e simples, sem o luxo de limar Sossego hoje quase não se encontra Inspiração que se considere a pedra rara E Beneditino, no claustro, sinta-se privilegiado À tríade, que não se considere afronta Pois me inspiro e dedico à esses nobres Meus versos pobres, ou assim pré-julgados.

Lugar Distante

Há um lugar Em algum lugar distante Para onde vagam os corações aventureiros E os pensamentos errantes. Onde o sopro do vento é repentino, Mas constante. Quando Sol, suspiros contentes, Quando Lua, sussurro cortante. Onde o tempo passa indistinto. Como sinal de sua passagem, uma estação. Quando neve, é inverno. Quando calor é verão. E quando as folhas caem é outono, E quando as flores brotam primavera. E quando já se passaram todas, Se inicia uma nova era. Onde a manhã de sol desperta Ofuscando a sombra vespertina. Invade o quarto de alguém que ainda sonha, Invade os sonhos pela fresta da cortina. Invade a tarde molhada de chuva E contorna o horizonte sob o céu mesclado. E então se despede na noite que vem, Se pondo na hora em que lhe convém Deixando a lua no céu salpicado.

Primeiro Encontro

Ela Ele tem um brilho no olhar E me olha com intensidade Tem olhar de sedutor Mistura malícia e ingenuidade. Seu sorriso é puro encanto Que encanta e faz sorrir Ele é pura armadilha Em que pretendo cair. Palavras me faltam à boca A voz aos poucos estremece Sua presença ao mesmo tempo em que acalma,enlouquece. Sua voz soa como música Que ousa singelo cantar Meu coração até então prisioneiro Fora liberto para amar.

Primeiro Encontro II

Ele Da minha boca saem palavras banais. Ela recita poesia. Ela é como um dia de sol, E eu uma noite de lua vazia. Sou um tolo apaixonado Sou amante amador Sou um pobre condenado A me entregar à nobre amor. Solto suspiros de leve De um jovem louco amante E pensar que resgatei sorriso tímido Desse meu humor arrogante. Teu calor congela a mão Mas derrete o coração Faz do gelo quente a chama fria Faz do amor, forte paixão.

Paralelamente ao Sol

S ol representa luz Luz representa razão E tudo o que lhe é paralelo, É sombra, escuridão. Mas o sol também é conforto E quando é conforto, esconde as estrelas E a razão passa a pertencer ao escuro Onde temos de ficar para vê-las... Prólogo de "Paralelamente ao Sol", ainda em processo de criação

Imaginação

E ra fim de tarde, e o irmão mais velho cuidava do mais novo enquanto os pais estavam no trabalho. O irmão mais novo então pergunta: - O que é imaginação? O mais velho, que estava absorto no livro que lia, se distraiu com a pergunta do irmão. Taciturno, fitou o vazio à sua frente por um longo tempo, a mão apoiando o queixo. Ele estava pensando em como responder. O mais novo ficou impaciente. - E então, o que é? O mais velho novamente se virou para o caçula e sorriu para seu rostinho enfezado de frustração. - Tudo bem, então. Feche os olhos, por favor – respondeu apenas, no que a expressão frustrada do irmão tornou-se confusa. - Fechar os olhos? Para quê? – indagou, com as sobrancelhas juntas e uma covinha se formando entre elas. - Apenas feche-os, por favor – insistiu calmamente o mais velho, com um sorriso ansioso e cheio de expectativa. Ainda confuso e com certa impaciência, o pequeno obedeceu. - Muito bem, agora me diga: o que você vê? – quis saber o mais velho...

Meu Mundinho...

Crianças entre flores Esperança, paz e cores U m mundo cheio de alegria Era só o que eu queria. Esse é o mundo que perdemos. Crianças pedindo esmola Sem brincadeiras, sem uma bola A violência nas cidades Essa é a triste realidade. Esse é o mundo em que vivemos. Pessoas em grande harmonia Aproveitando cada minuto do dia Sem sofrimento, só alegria. Essa é nossa esperança. Quem sabe um dia eu desperte E o que meu sonho hoje remete Deixe de ser um devaneio de infância. Meu mundo com um final feliz.

Cotidiano

Hoje acordei mais cedo Para ver o sol nascer Antes de voltar àquele velho cotidiano Da vida pacata que tenho de viver. Já deu até para se acostumar Já que não dá para fugir Desse velho cotidiano Que nos faz até sorrir Ao pensar que ainda há tempo De voltar à um momento Em que o amor eu senti Mas que dele já fugi Por causa desse contratempo q ue segui durante todo o ano E que acabou nesse cotidiano . Hoje vou dormir mais cedo Para ter tempo de sonhar. Sonhei que escapava desse velho cotidiano E para o amor podia voltar...

Já não mais...

Já vi a esperança Mas hoje não a reconheço. Apenas me passa uma vaga lembrança Mas que dela logo me esqueço. Já vivi em plena harmonia Mas hoje estou à beira da morte Vago-me de uma breve alegria Ao ver que ainda me resta a sorte. Vivo de algumas recordações Daquelas que não me esqueci Meus sonhos soam como canções E por eles é que estou aqui.

Um Conto, Estrelas e Sonhos

“ Podem os sonhos mudar os olhos do homem diante do mundo? Filhos da fantasia, arautos da ilusão. Os sonhos enganam e encantam. Como acreditar em algo tão sedutor quanto inconstante?” Foi o que meu pai um a vez me disse, quando eu era ainda muito pequena para compreender. Voltei meus olhos aturdidos para minha mãe, que simplesmente falou: “Os sonhos revelam o que está oculto em nossos corações”. Eu era muito pequena para entendê-la também. Lembro-me de sair da sala quando os dois começaram a discutir – eu não suportava gritos. Subi para meu quarto e me escorei na janela, fitando o horizonte. A discussão ainda era ouvida lá embaixo. E tudo começou porque eu perguntei o porquê de meus sonhos serem tão esquisitos. Noite passada, sonhei que as flores brotavam nas nuvens do céu e faziam chover pólen – e eu nem sabia como era o tal do pólen, mas sabia que aquela coisa do meu sonho, era pólen. Suspirei alto e me virei irritada para a porta de meu quarto, de o...

Refúgio

A poesia é um refúgio Para quem escreve e para quem lê Cada verso é um sentimento Que a gente sente mas não vê O poeta se inspira E quem lê fica inspirado Esquece o tempo, esquece a hora, Esquece a alma do passado Até no coração mais frio A poesia está presente Faz o gelo congelante Se tornar a chama ardente O pássaro que não voa, Sonha: "Um dia irei voar" E levará consigo os sonhos Que ousou acreditar...

Mágica Tinta...

Cai a água e desaba Sobre as rochas, como véu. E os olhos insaciáveis deslumbram Por sobre a tinta que se espalha no papel. Mágica tinta de encantadora magia Que pelo vazio branco e perolado, Teima em se espalhar, Criando o mais concreto mundo abstrato. Mágica tinta de misteriosa magia Que em seus traços imperfeitos, Revela a perfeição. Magia única de formas diversas, Na tela, no papel e na mente impressas, Mas que nasce de um único e pulsante coração.

O Tempo e o Amor

Já se foi aquele tempo Que o tempo abandonou Por ter cansado de esperar A quem nunca o amou. O tempo apaixonado Desprezado, foi embora. E pelo tempo perdido Seu amor agora chora. O tempo corre agora Para fugir da solidão. Corre sem pensar na hora E pensando sem querer em sua paixão. E agora o tempo pára Loucamente apaixonado. Está na beira do abismo Relembrando seu passado. Passado que não passou Ou passou e ele não viu. O tempo agora está sofrendo Pelo amor que nunca sentiu...

Só para constar...

Sou uma perdida Que não segue doutrina nem religião Sem rumo, pretextos nem sina Na mente uma rima, trasformo em canção... Minhas mãos não são tão delicadas Quanto as de uma dama haveriam de ser São pequenas e um tantinho calombadas Preço que pago por gostar de escrever. Minha face não é branda nem dura Se perde no meio do aglomerado de rostos Me vejo cercada por belas molduras E eu talvez seja um simples esboço... Sou uma desiludida Descrente da vida, a mais bela ilusão Ciente de que o amor é magia Mas não é incerteza nem convicção. E apesar de me contradizer Digo que acredito no amor De onde a esperança se faz nascer E para o coração é fonte de calor. Seria ingenuidade minha dizer Que acredito em príncipe encantado? Desilusão seria nunca entender Que a magia da vida é o inesperado...

A Magia do Outono...

Ah, o Outono... minha estação preferida...! O céu azul manchado por nuvens brancas em constante movimento, o sol brilhando e deixando tudo colorido, o frio fazendo com que as pessoas saiam de casa embrulhadas em seus cachecóis e casacos, com as mãos nos bolsos e nariz vermelho... as rajadas repentinas de vento criando uma chuva vertical de folhas secas e amareladas... é tudo tão belo. Ah, o Outono... Que desilusão senti, tenho de adimitir, quando no dia 20 de março, por volta das duas da tarde, foi anunciado a chegada tão esperada do Outono - eu chegava a imaginar o sol surgindo glorioso, iluminando o horizonte dos oprimidos pelas constantes chuvas de verão... mas não foi o que aconteceu, e que desilusão senti, eu repito, quando o primeiro dia do outono amanheceu chovendo, se passou debaixo de chuva e anoiteceu dessa mesma forma... Mais um dia, eu pensei, e o frio gostoso, e as rajadas repentinas do vento, o sol brilhando no céu azul e branco, viriam me saudar. E semanas se passara...

Eu queria...

Eu queria saber voar Mas asas eu não tinha Queria saber o que é amar Mas amor de verdade não vinha. Queria saber esperar Mas esperança já não me faz companhia Queria ao menos poder cessar Esse pulsar inquietante de agonia. Receio ser minha impaciência Que afaste de mim o que eu desejo Meu olhar já se perdeu na inconsciência Pois o que quero de verdade não vejo. Quem me dera poder fechar os olhos E perder-me numa escuridão sem devaneios Silenciar meu inquieto coração E esquecer-me por um instante de meus anseios. Quem me dera saber aquiescer Para aceitar o vazio de forma complacente. Ah, quem me dera... quem poderia entender? Que no vazio profundo de minha dor insistente Eu seria feliz por ser capaz de sofrer...