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Mostrando postagens de outubro, 2010

Soneto aos Parnasianos

Se ousar por um minuto me iludir E acreditar que em meus versos alcanço a perfeição Me comprometo por cada erro que provir De ignorar o despertar da dispersão Me decidi então por escavar a gruta O ourives que não ouse se zangar Ao ouvir que preferi a pedra rara bruta Espontânea e simples, sem o luxo de limar Sossego hoje quase não se encontra Inspiração que se considere a pedra rara E Beneditino, no claustro, sinta-se privilegiado À tríade, que não se considere afronta Pois me inspiro e dedico à esses nobres Meus versos pobres, ou assim pré-julgados.

Lugar Distante

Há um lugar Em algum lugar distante Para onde vagam os corações aventureiros E os pensamentos errantes. Onde o sopro do vento é repentino, Mas constante. Quando Sol, suspiros contentes, Quando Lua, sussurro cortante. Onde o tempo passa indistinto. Como sinal de sua passagem, uma estação. Quando neve, é inverno. Quando calor é verão. E quando as folhas caem é outono, E quando as flores brotam primavera. E quando já se passaram todas, Se inicia uma nova era. Onde a manhã de sol desperta Ofuscando a sombra vespertina. Invade o quarto de alguém que ainda sonha, Invade os sonhos pela fresta da cortina. Invade a tarde molhada de chuva E contorna o horizonte sob o céu mesclado. E então se despede na noite que vem, Se pondo na hora em que lhe convém Deixando a lua no céu salpicado.

Primeiro Encontro

Ela Ele tem um brilho no olhar E me olha com intensidade Tem olhar de sedutor Mistura malícia e ingenuidade. Seu sorriso é puro encanto Que encanta e faz sorrir Ele é pura armadilha Em que pretendo cair. Palavras me faltam à boca A voz aos poucos estremece Sua presença ao mesmo tempo em que acalma,enlouquece. Sua voz soa como música Que ousa singelo cantar Meu coração até então prisioneiro Fora liberto para amar.

Primeiro Encontro II

Ele Da minha boca saem palavras banais. Ela recita poesia. Ela é como um dia de sol, E eu uma noite de lua vazia. Sou um tolo apaixonado Sou amante amador Sou um pobre condenado A me entregar à nobre amor. Solto suspiros de leve De um jovem louco amante E pensar que resgatei sorriso tímido Desse meu humor arrogante. Teu calor congela a mão Mas derrete o coração Faz do gelo quente a chama fria Faz do amor, forte paixão.

Paralelamente ao Sol

S ol representa luz Luz representa razão E tudo o que lhe é paralelo, É sombra, escuridão. Mas o sol também é conforto E quando é conforto, esconde as estrelas E a razão passa a pertencer ao escuro Onde temos de ficar para vê-las... Prólogo de "Paralelamente ao Sol", ainda em processo de criação

Imaginação

E ra fim de tarde, e o irmão mais velho cuidava do mais novo enquanto os pais estavam no trabalho. O irmão mais novo então pergunta: - O que é imaginação? O mais velho, que estava absorto no livro que lia, se distraiu com a pergunta do irmão. Taciturno, fitou o vazio à sua frente por um longo tempo, a mão apoiando o queixo. Ele estava pensando em como responder. O mais novo ficou impaciente. - E então, o que é? O mais velho novamente se virou para o caçula e sorriu para seu rostinho enfezado de frustração. - Tudo bem, então. Feche os olhos, por favor – respondeu apenas, no que a expressão frustrada do irmão tornou-se confusa. - Fechar os olhos? Para quê? – indagou, com as sobrancelhas juntas e uma covinha se formando entre elas. - Apenas feche-os, por favor – insistiu calmamente o mais velho, com um sorriso ansioso e cheio de expectativa. Ainda confuso e com certa impaciência, o pequeno obedeceu. - Muito bem, agora me diga: o que você vê? – quis saber o mais velho...