Caminhos

A gente nasce, nascente; vai derramando, sem prumo, até ganhar corpo, rumo, virar riacho, virar rio, virar gente. Virar caminho.

Fluxo pra várias direções; umas se perdem cedo;
outras vão se perdendo, se achando, até se perder
de novo, se achar de novo… outras seguem mais e
crescem ao longo - das descobertas, do tempo,
da vida. Somos caminhos.

E nossos caminhos vão se encontrando com outros,
e tantos… os caminhos se cruzam, entrecruzam,
alguns seguem juntos, se emaranham, viram quase
um só; pisa-se manso, firma-se o passo, acerta-se
o ritmo e seguem olhando à frente, o tanto que o
caminho se estende…

Miragem, no horizonte; que distante assim, a gente
só pode é dar palpite, que vira desejo, vontade,
nos impele uma busca, é no fundo esperança…
planos.

Mas cada passo, presente, leva a gente caminho pro
desconhecido; futuro é incerto. Certeza é vento…
que vem, vai, leva, traz, muda, transforma, e segue
assim, indefinido.  

Vento vem, vento sopra… Daí que o caminho, que foi
junto, mas sempre foram dois, dois voltam a ser,
vão voltando; desemaranhando-se pouco a pouco,
soltando fácil num passo, segurando em nó num
outro, apegado. Desfazem-se os nós um à um, ora
com dedos gentis, ora com sentimentos revoltos;
ora caminho em pedaços; mais uns passos, e então,
novamente, caminho por inteiro.


10/05/2018.

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