cinza

Um sentimento de dia cinza; um vento soprando tristes melodias. Um suspiro nublado. Um quarto e uma série de objetos deitados. Não há forças para existências verticais.

Fios de cabelo soltos, espalhados pelo lençol da cama. Travesseiro amassado. O peso de um dia ainda pela metade.

Uma nota longa balança a cortina. Um frio no pé que sobe e arrepia uma saudade na pele. Um gole de chá - um tom mais quente, ainda que melancólico.

Uma mão que repousa sobre o ventre, sentindo o ir e vir de um ar nostálgico.

Uma varanda azulejada sustenta um olhar distante. O  horizonte na paisagem, todavia, não é longe: deita-se sobre os telhados de padrão irregular, logo em frente, do outro lado da rua. Fios e cabos elétricos riscando linhas, desenhando caminhos tortos - ora se cruzam, ora se afastam; quando se encostam, dão nós.

A rede do quarto solta no chão; os ganchos na parede, sustentando nada.

Só o tempo suspenso.

29.04.2020

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