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Mostrando postagens de 2011

Otimismo

Acordou com o canto de um passarinho solitário, porém de timbre afinado e disposição pra manhã inteira... Acordou sem abrir os olhos, mas sentindo o sol invadir sua casa e tocar suas pálpebras, suave e delicadamente... Manteve os olhos bem fechados, procurando ausentar-se do mundo naquele vão entre o sonho e o estar desperto... a semiconsciência lhe permitiu notar - pela ausência de cheiros e certa dificuldade em respirar de boca fechada - que ainda estava resfriado. O elo com o sonho lhe permitiu não ligar, e explorar um sentido que estava mais do que aguçado naquela manhã... Ouviu o barulho de água correndo não muito longe dali... ouviu o vento avançar contra uma árvore e levar embora metade de suas folhas amarelas - era outono, portanto, a árvore não oferecia resistência. Queria logo era experimentar sua folhagem nova, que demoraria um tantinho para aparecer, mas ela decidira que valia a pena esperar... e aguentar o vento despindo-a sem remorso algum, como uma criança sa...

Sorrisos

Vem a mim com um sorriso doce Estendo a mão para afagar-lhe o rosto Sorri pra mim como se ainda mais feliz fosse Só por saber o quanto lhe gosto Vem a mim com um sorriso terno Daquele que vejo e escuto “eu te amo” E meu sorriso em retorno é como um agradecimento eterno Por tê-la tão perto desse coração insano Vem a mim com um sorriso desconcertado De quem sabe que fez bananice Sorri ao sorriso que fala: “ta perdoado”, E aquiesce ao sorriso que diz: “eu te disse...” Vem a mim com um sorriso dengoso De quem precisa de um abraço, um carinho, atenção Estendo meus braços, e meu sorriso teimoso Teima em mostrar-se, mostrando satisfação Vem a mim com um sorriso afetado E estende-me os braços, me acolhendo em seu colo E minha inquietude cessa quase que de imediato E disfarçadamente ou não, eu choro Vem a mim com um sorriso bobo Fazendo birra, implicantemente insistente Ou só está contente, por qualquer motivo tolo Ou é só consolo, de...

Súplica ao Tempo

Concede-me essa dança, uma última vez Tenta ver a intensidade com que lhe peço É que não sei se estou pronta para me despedir Mas não se preocupe - quado estiver, me despeço Não é que eu esteja querendo prolongar É só que não sei o sentido do fim Se soubesse, talvez fosse mais fácil aceitar Se souberes, então digas para mim É que nunca parece o bastante Mas o é, justamente por não parecer Mas se de fato o fosse, então porque persiste o vazio sufocante? Talvez por querermos sempre mais do que podemos ter... Notas finais sobre o poema: Esse poema só foi postado por intermédio de uma alma bondosa que intercedeu por esses versos mal amados... (é que eu mesma não me agradei muito desse versar, motivos pessoais. Mas me disseram que valia a pena postar, e eu confiei). Enfim, agradecimentos à Maria Bia, que resgatou esses versos do purgatório e fez com que lhes fosse concedido um cantinho 'num lugar entre rosas e anjos'... PS: E a manola Sabrina também, que disse que ia me bater ...

Lua dos Loucos

Fui até a Lua ontem, antes de dormir – na verdade, fui na hora em que deveria estar dormindo, pois antes que o sono chegasse, a insônia veio dizer um ‘oi’. Eu lhe ofereci um copo de leite. Ela me ofereceu um de inquietação. Brindamos e fomos juntas à Lua. Estava um caos. Uma desordem colossal. Parecia com uma Lua de um louco. Caixas mal empilhadas em todos os cantos, entre tantas outras coisas que se amontoavam por todos os lados de forma aleatória, sem possibilidade de, a princípio, distingui-los por tipo, data, teor ou qualquer outro critério de distinção. Era como se um furacão tivesse passado por ali. De fato, um dia antes, um furacão tentara entrar em meus domínios lunares, sem passaporte, sem visto e muito menos convite. Não permiti que entrasse, mas isso não o deteve – deu a volta e encontrou uma brecha em minhas fronteiras de vulnerabilidade. Só me restaram o assombro quanto ao seu poder destrutivo, a necessidade de reforçar minhas fronteiras, a bagunça para arrumar e a ...

Coração de Margarina...

Quando minha mãe me acordou naquela manhã, eu já estava muito assustada. Tinha seis anos, e era meu primeiro dia de aula na 1ª série. Ansiosa, animada, assustada, arrepiada, amedrontada... me revezando em sentimentos que começam com "A". Pensava em como havia sido na pré-escola, e em como seria diferente agora, na primeira série. Mas ao ficar de frente para o portão da escola - mesmo com minha mãe ao lado e meu pai no carro logo atrás, sorrindo orgulhoso, incentivante e provavelmente já ciente do que viria à seguir -, percebi que só o prédio e as crianças seriam diferentes, o resto iria ser exatamente igual - eu choraria...! Eu chorei. Lembro de dizer à minha mãe que estava com dor de barriga, agora não sei se de nervoso mesmo ou como um falso pretexto para minhas lágrimas abundantemente vergonhosas. Não queria largar da minha mãezinha de jeito nenhum. De fato, não larguei. Ela teve que me acompanhar até a sala de aula e me colocar sentadinha na carteira, sob o olhar de toda...

Sol ou Farol?

Uma luz repentina refletiu na janela Pensei ser o sol, se antecipando no horizonte Mas eram os faróis de um carro vizinho Que à minha janela estacionara defronte Não sei o que pensava naquele instante Certeza tenho que eram pensamentos ilógicos Como pude supor ser o sol, se era noite?! Se serve a desculpa, eu estava sem óculos... Talvez precisasse de um pouquinho de luz Ou acordasse tão tarde, que sentisse falta do sol Quem sabe se eu levantasse mais cedo... Não... Por hora me basta o ilusório farol...! * Dedicado à Sabrina - a garota dos pensamentos ilógicos! -, dando continuidade à um momento tipicamente sem sentido na escola...!

Antes que a cidade desperte

O céu amanheceu cinza - como se fosse um prelúdio de como ficaria pelo resto do dia. A cidade ainda dormia, portanto havia pouco movimento na rua, e o menino, já tão cedo desperto, aproveitou para visitar um lugar particularmente mágico e especial para ele. Tinha lá seus dez anos e um óculos de armação quebrada, mas ele não se importava, ainda mais ali, cercado por tantos livros - seu paraíso pessoal, refúgio de todas as manhãs. A biblioteca era imensa, e o garoto se achava pequeno demais para ela. Enquanto passava pelos corredores - que lembravam muito as paredes de um labirinto -, corria os dedos pelos livros, tanto para sentir a textura quanto para não se perder. Olhava fascinado para os títulos sobre seus dedos e também para os que estavam nas prateleiras mais altas, fora do alcance de suas pequenas mãozinhas. Todavia, não se atrevia à pegar nem mesmo esses que alcançava. Achava-se pequeno demais para absorvê-los também. Logo chegou ao que procurava de fato - a seção infantil. E ...

Chuva de Outono

Se em teu amanhã despertasse Enquanto o teu futuro adormece E o teu passado acordasse, O que se esqueceu já não mais se esquece Em teu presente já não mais estaria Por entre recordações andaria E o que uma vez dissera, ouviria E ao invés de sorrir, choraria E de teus olhos, lágrimas derramaria E a chuva de outono, outra vez, Sobre ti cairia...

Retrato

Se eu desejar que te lembres de mim, Não espere por nenhuma fotografia. Uma imagem não diz muito de mim Meu fiel retrato é minha poesia...

Mais do que simples versos...

Aos tropeços desses versos corridos Brincando até fazer rimar Contento-me se ao menos eles forem lidos, Já de pronto vistos por quem saiba apreciar Lamento se não forem versos belos Lindo é o sentimento que os traz de tão profundo Sentimento que me faz dedicar esses versos singelos Às meninas que mais amo nesse mundo! *Dedicado às minhas melhores amigas!

Nas Noites de Céu Estrelado

Eu queria muito começar esta história com “Era um belo dia de sol”, mas a verdade é que não era. Era época de chuva forte, muito forte. Eu não me lembro, de fato, mas é o que sempre dizem quando pergunto. Dizem que muitos perderam muita coisa. E que eu não fui a única a perder tudo, principalmente a família. Desde então, o orfanato passou a ser meu lar. Orfanato é como chamam este lugar, porque é cheio de órfãos, ou órfãs, assim como eu. Orfantório ou guarda-orfãos também são termos cabíveis. Particularmente, gosto de guarda-orfãos. Tinha cinco anos quando vim para cá. Diziam que era um milagre eu ter sobrevivido, e que havia muita terra. Diziam sempre isso, “havia muita terra...” A vida ali era satisfatória. Já tive quatro anos para me acostumar. Havia dor, às vezes, e algumas noites eram muito frias. Mas tínhamos uns aos outros – as tias que cuidavam de nós nos ensinavam a valorizar isso. Essas coisas faziam-me pensar no orfanato como se fosse remédio...

A Rosa do meu Jardim

Abras as asas, linda flor Que a aurora já se faz As lágrimas que o sereno orvalhou Não as chore nunca mais Deixa o brilho perdurar Que o diamante da noite, brilha mais durante o dia Deixa o vento o diamante semear Que a semente é quente na brisa fria Fica aqui comigo e me faz companhia Deixa eu vê-la sorrir para mim Deixa o vento para o mundo espelhar A beleza que refletes no meu jardim Abra as asas, linda flor As pétalas divinas, divindade graciosa Ainda que fincada no meu jardim, parece voar E deixa-nos a imaginar se é poesia ou se é rosa... Dedicado à uma amiga especial, Sabrina - que meus poemas continuem pondo um sorriso em seu rosto e sendo conforto para seu coração!