Nas Noites de Céu Estrelado
Eu queria muito começar esta história com “Era um belo dia de sol”, mas a verdade é que não era. Era época de chuva forte, muito forte. Eu não me lembro, de fato, mas é o que sempre dizem quando pergunto. Dizem que muitos perderam muita coisa. E que eu não fui a única a perder tudo, principalmente a família.
Desde então, o orfanato passou a ser meu lar. Orfanato é como chamam este lugar, porque é cheio de órfãos, ou órfãs, assim como eu. Orfantório ou guarda-orfãos também são termos cabíveis. Particularmente, gosto de guarda-orfãos.
Tinha cinco anos quando vim para cá. Diziam que era um milagre eu ter sobrevivido, e que havia muita terra. Diziam sempre isso, “havia muita terra...”
Pensei que talvez não pudesse me ver ali naquela janela escura. Foi então que, em todas as noites estreladas, eu passei a esperar pelo meu anjo debaixo do carvalho, no jardim.
Na próxima noite, eu deixaria uma carta para o anjo. Assim, quando viesse, dessa vez saberia qual era o meu desejo de fato.
Eu senti a raiva deixar meus olhos molhados. Eu gritei com ela. Depois que ela saiu do quarto, com lágrimas nos olhos também, tentei me acalmar. As outras crianças no quarto me encaravam, mas eu as ignorava. Quando finalmente a calma chegou, veio com uma triste conclusão – os anjos não existem.
Depois de uns dias, eu me senti culpada por tê-la magoado, e quis me desculpar. Fui perguntar à diretora do orfanato quando ela voltaria, mas o que ouvi fora pior do que eu podia imaginar.
Chovia muito naquela noite, e a dor corroia meu coração. Eu queria que parasse. Desejei desesperadamente. Eu precisava de um anjo para me tirar dali. Eu queria felicidade e conforto.
Fui para debaixo do carvalho, sentei-me e esperei. Eu não podia ver as estrelas, mas talvez elas pudessem me ver e conceder o meu pedido.
A chuva cessou. O céu começou a se abrir na noite e eu sabia que as estrelas logo apareceriam. A aurora se aproximava no horizonte e eu temia que não houvesse tempo – que as estrelas se fossem antes de me saudar.
Um raio de sol cruzou o céu naquele instante, e eu o vi – me anjo vinha até mim. Por um momento, brilhava tanto, que não pude ver seu rosto. Quando o vi, fiquei estupefata – era a tia Joana. Ela veio até mim, caminhando, e me tomou nos braços, carinhosamente. Quis indagar onde estava meu anjo, mas as palavras não me vinham.
Ela me levou para dentro de uma casa, mas não parecia o orfanato. Ainda assim, era familiar. Havia pessoas lá dentro, e sorriam para nós. Eram-me familiares também.
A tia me levou até o quarto, e me colocou na cama, envolvendo-me com a coberta, como sempre fez. Ela se aproximou e me deu um beijo na testa. Quando finalmente se afastou, foi que eu pude ver suas asas. Ela começou a brilhar.
Nossa Mi, eu gosto de ler as coisas que você escreve em voz alta, sei lá, acho mas emocionante, e me arrepiei toda lendo esse teu conto. Que coisa mais lindinha Mi. Os anjos existem afinal. Eu adorei. s2
ResponderExcluirLindo muito Lindo!!!
ResponderExcluirOiiii ficou incrivel seu conto
ResponderExcluiré um texto realmente pra se emocionar
você tem muito talento garota!
Tudo que você escreve é lindo!
Beijoss
Taxamos como seres alados e de áurea luminosa os ANJOS, quando na verdade não há forma física para tais.
ResponderExcluirO clímax do conto é emocionante e seu desfecho, inebriante. Parabéns!